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O nome do seu produto pode ser uma ameaça à sua marca: o caso Ozempic vs. Ozivy explica por quê
PI NewsMarcas & LitígiosPublicado: 22/06/2026· 8 min de leitura

O nome do seu produto pode ser uma ameaça à sua marca: o caso Ozempic vs. Ozivy explica por quê

Novo Nordisk move ação contra a EMS pelo nome Ozivy. O caso mostra por que semelhança fonética, reputação de marca e monitoramento da RPI são decisivos para escritórios de PI.

Quando uma farmacêutica multinacional entra com ação judicial contra uma rival brasileira por causa de um nome, o mercado de propriedade intelectual para tudo e presta atenção.

Foi exatamente isso que aconteceu na semana passada. A Novo Nordisk, fabricante dinamarquesa do Ozempic e do Wegovy, os emagrecedores mais famosos do mundo, ingressou com ação na 31ª Vara Federal do Rio de Janeiro para tentar anular o registro da marca Ozivy, da farmacêutica brasileira EMS. O processo foi protocolado em 17 de junho de 2026.

O argumento da Novo Nordisk é direto: o nome "Ozivy" geraria confusão com suas marcas registradas e representaria um aproveitamento indevido da reputação que a empresa construiu. A EMS, por sua vez, afirma que o nome é original, resultado de um desenvolvimento independente de branding, e que atua em ambiente de livre concorrência.

O Ozivy é o primeiro medicamento com semaglutida sintética autorizado pela Anvisa para tratar diabetes tipo 2 no Brasil, e chegou ao mercado justamente depois que a patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, caiu, abrindo espaço para concorrentes nacionais.

O caso ainda não tem decisão judicial.

O que está em jogo além do medicamento

Para quem trabalha com propriedade intelectual, esse caso não é apenas uma disputa entre gigantes farmacêuticos. É um exemplo real e atualíssimo de como a escolha de um nome de produto pode se tornar o centro de um litígio milionário, e de como a proteção de marca precisa ser pensada muito antes do lançamento.

Três elementos do caso merecem atenção especial:

1. A semelhança fonética como argumento central

A Novo Nordisk não alega cópia de fórmula ou violação de patente — a patente já caiu. O que está sendo contestado é o nome. "Ozivy" compartilha o prefixo "Oz-" com Ozempic e Wegovy, e o argumento é que essa proximidade sonora induz o consumidor a associar os produtos. Isso é o que a lei de marcas chama de confusão ou associação indevida.

2. A reputação como ativo protegível

A Novo Nordisk não defende apenas um registro — defende uma reputação construída ao longo de anos. Em nota, a empresa disse que "convive com mais de 70 produtos concorrentes em mais de 20 países" e que acredita na concorrência, desde que ocorra de forma ética. O ponto é: marca forte gera direito de proteção ampliado.

3. O timing: ação judicial imediata após a queda da patente

A sequência dos eventos é reveladora. Patente cai → EMS registra Ozivy → Novo Nordisk aciona a Justiça. Esse movimento mostra que empresas com PI bem gerenciada monitoram ativamente o mercado e reagem rápido quando identificam uma ameaça, não esperam o dano se consolidar.

O que esse caso tem a ver com o seu escritório

Se você representa clientes que lançam produtos, marcas ou negócios, a pergunta que esse caso coloca é direta: o seu cliente checou se o nome que escolheu é seguro antes de investir no lançamento?

A EMS é uma das maiores farmacêuticas do Brasil. Mesmo assim, o registro da marca Ozivy está sendo contestado judicialmente poucos dias após o produto chegar às prateleiras. Imagina o impacto disso para uma empresa menor, que já investiu em embalagem, campanha, ponto de venda, e precisa retirar o produto do mercado ou mudar o nome às pressas.

A proteção de marca não é um procedimento burocrático. É uma camada de segurança para os negócios dos seus clientes.

Monitoramento ativo faz diferença, e muito

Um detalhe que passa despercebido na cobertura jornalística desse caso: a Novo Nordisk claramente monitora o INPI de forma ativa. A ação foi ajuizada em 17 de junho. O produto da EMS começou a ser vendido nessa mesma semana. Isso não é coincidência — é gestão de PI funcionando.

Escritórios e equipes que acompanham os depósitos publicados na Revista da Propriedade Industrial (RPI) conseguem identificar esse tipo de ameaça antes que ela vire processo. O monitoramento sistemático da RPI é, na prática, um serviço de altíssimo valor para qualquer cliente com marcas relevantes no mercado.

Não é questão de tamanho. É questão de processo.

Conclusão

O caso Ozempic vs. Ozivy vai se desenrolar na Justiça Federal nos próximos meses, e vale a pena acompanhar, tanto pelo mérito jurídico quanto pelo que ele revela sobre como marcas poderosas são defendidas.

Para quem atua com PI, o recado é claro: o nome importa, o monitoramento importa, e a reação rápida importa. Esses três elementos separaram a Novo Nordisk de uma empresa que simplesmente assiste o mercado mudar ao redor dela.

Fontes: Poder360 (18/jun/2026) e O Globo (19/jun/2026).

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